Os arqueólogos descobriram gravações de romãs em moedas da Judeia do período do Segundo Templo. As moedas representavam não só a fertilidade da terra, mas também o significado religioso do fruto. Até hoje, a romã continua a surgir na arte e no design israelitas, em símbolos oficiais e na decoração de sinagogas — como símbolo de continuidade, bênção e identidade.
A romã como motivo intemporal na arte judaica
Ao longo dos séculos, os artistas judeus inspiraram-se na romã. Das talhas das sinagogas aos manuscritos iluminados, a sua forma arredondada e as suas sementes agrupadas foram usadas para representar plenitude, fé e conhecimento divino. A cor intensa do fruto e a sua coroa única fazem dele um símbolo muito apreciado na arte judaica, simbolizando simultaneamente santidade e beleza.
A romã na Judaica moderna e no design cerimonial
Hoje, a romã continua a decorar objetos de Judaica, das taças de kidush e mezuzot às coberturas de chalá e talitot. Os designers israelitas reinterpretam na maioria dos casos o símbolo com um toque moderno, mantendo o seu significado bíblico numa arte que decora casas e sinagogas em todo o mundo.
O Simbolismo da Romã na Literatura e na Cultura
O uso da romã vai além da tradição religiosa. Na literatura, na poesia e na arte, tem sido empregue para simbolizar o ciclo da vida, o amor e o renascimento. Na poesia e na literatura judaicas, a romã surge tipicamente associada à renovação, à capacidade sempre presente de a vida e a fé voltarem a florescer. As suas sementes de um vermelho profundo foram tomadas como símbolos de vida e de amor, e a sua forma redonda e completa como símbolo de plenitude e de divindade. O Cântico dos Cânticos, o mais lírico dos livros da Bíblia hebraica, compara a beleza da amada à romã em flor. Os poetas judeus, da Espanha medieval ao Israel de hoje, continuaram a usar o fruto como símbolo de compromisso, de beleza e da abundância da alma.
A Romã na Joalharia e no Design Moderno
Hoje, a romã encontrou uma nova forma na moda, na arte e na joalharia, mas mantém a mesma mensagem ancestral de fé e de bênção.
As joias com romã como símbolo de bênção
As joias com romã podem aliar apelo estético a um significado profundo. Pendentes, brincos e anéis em forma de coroa ou de fruto são lembranças constantes de abundância exterior e interior. São frequentemente oferecidos como presentes que assinalam novos começos, vida, prosperidade e amor.
Interpretações em ouro, prata e pedras preciosas
Os designers produzem joias com romã nas mais variadas formas, da prata e do ouro maciços aos modelos cravejados de pedras preciosas que evocam o brilho das sementes. Rubis, granadas e esmalte vermelho são usados para reproduzir a cor natural do fruto, de modo que o símbolo antigo se torne arte para usar. Das oficinas de Jerusalém às galerias contemporâneas de todo o mundo, os artistas continuam a reinterpretar a romã. Minimalistas ou barrocas, tradicionais ou modernas, todas as obras prestam homenagem à mesma crença ancestral: a de que a romã é um veículo de bênção, cheia de vida, de boas ações e de abundância divina.
O mau-olhado no judaísmo e na Bíblia
O mau-olhado (ayin hara) surge com frequência na literatura rabínica, em relatos sobre a prática judaica. É entendido como o poder da inveja para causar dano. O Talmude adverte contra chamar demasiada atenção para as próprias bênçãos, para não se atrair a inveja. Embora o símbolo não seja citado na Bíblia, esta alude aos perigos da inveja e à necessidade de nos protegermos dela.
O mau-olhado no cristianismo e no islão
O mau-olhado raramente aparece no cristianismo mas, quando surge, é usado para descrever a inveja e o pecado. No islão, o conceito está plenamente presente sob a designação de al-'ayn. Existem inúmeras práticas muçulmanas de proteção contra o mau-olhado, através de orações e de amuletos em forma de olho usados nas casas e como joias.
Tradições populares e práticas regionais
Para além da religião, o mau-olhado é uma componente profundamente enraizada da cultura popular. Amuletos de vidro azul contra o mau-olhado — conhecidos como mati ou nazar — são exibidos em casas, carros e locais de trabalho na Grécia e na Turquia. Na América Latina, os bebés usam pulseiras vermelhas para afastar a inveja. Estes exemplos mostram até que ponto a crença se manteve difundida e adaptável ao longo do tempo e do espaço.
Joias e Amuletos com o Olho Grego